SE VOCE É UMA EXECUTIVA e alguma vez foi selecionada para concorrer a um cargo de alto escalão nas maiores empresas do Brasil, já pode ter sentado em frente a Ana Luiza Loureiro. Essa é uma das atividades da paulistana de 41 anos: escolher a dedo os profissionais mais qualificados para ocupar as cadeiras mais cobiçadas das grandes companhias – Analu não gosta do título de headhunter, acha “pejorativo”, prefere dizer que trabalha com recrutamento de pessoas. A empresa da qual é sócia-fundadora, ao lado de outras três mulheres, a Plongê (que vem de plongée, mergulho, em francês), é, se não a maior, uma das três maiores de consultoria de “gente e gestão” do País. Além da seleção de executivos, também oferece o serviço de desenvolvimento organizacional.

Ela prefere não revelar os clientes que atende – todos os processos são confidenciais -, mas trata diariamente, por exemplo, com grandes seguradoras e organizações líderes do audiovisual, do setor financeiro e do terceiro setor. O que faz de sua empresa uma das mais procuradas é que o trabalho não se resume a pura e simplesmente farejar um bom currículo. O processo realizado pela Plongê vai mais a fundo. Começa com o entendimento detalhado sobre a empresa, seguido do mapeamento de todo o seu funcionamento e de inúmeras visitas à organização, processo extremamente extenso e cuidadoso que foge do comum e demanda mais tempo dos clientes do que eles estão acostumados – mas o feedback é positivo.

Analu tem 17 anos de experiência em executive search. Diz que principalmente nos setores mais conservadores, como o de construção e o automobilístico, a presença de mulheres nos cargos de chefia ainda é rara. “Mas tá cheio de mulher presidente de empresa de tecnologia.” Sobre algumas companhias terem preferência por homens, ela conta que “é velado, mas tem”. “Não chega um pedido claro, mas já senti que tem empresa que não emplaca mulher. Tínhamos um cliente que só aceitava homem. Aí encontramos uma candidata maravilhosa. Entrevistaram ela muitas, mas muitas vezes até se convencerem. Foi uma quebra ­de paradigma porque era uma área específica. Eles não conseguiram falar não de tão boa que ela era. Ainda acontece”, conta Analu, que já trabalhou para os mercados de TI e Telecom em empresas como a IBM, Microsoft, Telefônica e Nextel.

E o que a mulher executiva quer hoje? “Equilibrar a vida. A grande dificuldade é para aquela que se realiza trabalhando, não o faz porque precisa, e que adora ser mãe. É a grande luta”, diz a psicóloga por formação, que tem Laura, 10 anos, e Fernando, 7. “Admiro a executiva que dá tanta importância à vida pessoal quanto ao trabalho. Para mim, aquela mulher que é louca, desesperada e que sacrifica o outro lado tem alguma coisa errada.”

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Ana Luiza usa macacão Splendid e tênis Vans

Rua Ferreira de Araújo, 221, conj. 122, 05428_000, Pinheiros, São Paulo, SP, Brasil

Plongê | Gente + Gestão

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